sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Capitulo 21

Olá queridas leitoras!
o meu sumiço já se prolongou por bastante tempo e venho aqui, não só para vos deixar com um ENORME pedido de desculpas por não publicar há imenso tempo mas também para trazer-vos um pouco de escrita.
E para festejar os meus seis anos de escrita, que hoje é comemorado, deixo-vos com o capitulo 21 da Tengo ganas de ti pronto! É verdade...são 6 anos que parece que foi ontem que tudo começou! 

O capitulo está extenso mas decidi publica-lo em duas partes pois eu não saberei quanto tempo demorarei a publicar o próximo. A falta de inspiração aliada à falta de tempo livre estão a dar cabo de mim e por isso não será possivel escrever com regularidade :/ 

No entanto, quero agradecer imenso às leitoras que ainda se tornam fieis à minha escrita e mantêm paciência e vontade em seguir-me!



Beijos a todas e aguardo pelas vossas manifestações!

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O tempo parecia ter parado. Desde que ficara a observar a rapidez como anoitecera até chegar aquele lugar, nada parecia ter mudado. Os minutos tornaram-se em insuportáveis horas e os segundos simplesmente deixaram de existir. Apenas o seu coração latejava tão fortemente no seu peito que isso deixava-a sem espaço para respirar. A aflição e aquele medo deixavam Isabel sem tempo para se aperceber que tinha de respirar. Se tivesse que relembrar dos momentos em que soube que tinha o seu avô no hospital, até chegar ali, não sabia lembrar. Tinha sido captada por um momento de perda de memória e no seu intimo desejava arduamente não relembrar desses momentos. Apenas as palavras de Adriana ecoavam fortemente na sua mente…

”o teu avô teve um enfarte” 
“está nos cuidados intensivos” 
“o teu avô teve um enfarte…”

Assim que entrou no hospital apressou-se a chegar até à sala de espera, não demorando tempo para encontrar a sua família ali.

- Como é que o avô está? – os olhares deles centram-se nela e Isabel apercebeu-se da desolação que se via em cada um. O seu estômago mirrou e uma espécie de bolha travou todo o ar que deveria sair. 

- ainda não sabemos de mais nada… - a sua tia respondera-lhe. De todos, parecia ser a que estava mais serena. 

- Como é que isto aconteceu?

- O avô estava no quintal, junto das árvores. Tinha subido no escadote quando sentiu uma dor no peito e caiu. Quem deu pelo avô desmaiado foi o José. Chamamos a ambulância e está há mais de uma hora lá dentro e não sabemos mais nada. – Isabel deixou-se cair sobre uma cadeira. Não sabia o que dizer, o que fazer nem o que sentir. A única coisa que sabia era que tinha o seu avô no hospital, com a vida em risco. Pensar nisso, provocou-lhe um enorme arrepio. Tal como aquele que sentiu quando estava sentada no banco, na faculdade.

- vai correr tudo bem… - o seu primo Francisco que mantinha-se sentado ao seu lado, sussurrou-lhe. 

- E se não correr? 

- Hei, não vamos pensar nisso, vale? O avô está rodeado pela melhor equipa médica…

- E a avó, onde é que está?

- No capelão. 

- Como é que reagiu? – Francisco expirou bruscamente.

- Eu acho que nunca a vi assim… - deixou escapar em jeito de desabafo. Isabel pousou a cabeça sobre o braço do seu primo, fechou os olhos e desejou no seu íntimo que aquilo não passasse de um pesadelo.

~

- Hei…Isabel – uma voz masculina sussurrava aos ouvidos de Isabel que tinha-se deixado vencer pelo cansaço, acabando por adormecer no sofá. Depressa acordou e encarou o seu primo.

- o médico já chegou? 

- Esteve aqui há pouco mas a única coisa que falou é que o avô já está estabilizado mas continua nos cuidados intensivos. Querem ver se não é preciso fazer cateterização e isso dependerá das próximas vinte e quatro horas.

- Não o podemos ver?

- Ainda não… - acabou por se ajeitar no sofá. Apercebera-se que era a única pessoa que restava ali – queres comer? Já passam das nove horas da noite – ela abanara a cabeça.

- Não consigo comer.

- Mas tens de comer! Anda lá, nem que seja umas bolachas ou sandes. És enfermeira, deverias saber que faz mal passar tanto tempo sem comer, não é?

- Neste momento sou incapaz de ser enfermeira – refutou – sou apenas uma neta que tem o avô enfiado numa cama de hospital – sussurrou com a voz entalada.

- Ele vai ficar bem – Francisco pegou-lhe nas mãos – anda…se não vieres fico aqui a chatear-te a cabeça e sabes que consigo ser chato.

- Okay – Isabel expirou bruscamente sabendo que não valeria a pena contrariar o seu primo e não deixava de ter razão, estar de estômago vazio nauseava-a. Pegou na sua mala e rumaram até à cafetaria do Hospital. Àquela hora estava praticamente vazia e apenas restavam alguns profissionais de saúde, que olhando para o rosto deles, mostrava o cansaço acumulado. Optara apenas por um café duplo e umas torradas sabendo que não conseguiria comer mais, não enquanto aquele peso insuportável não a deixasse em paz.



~

- Familiares do Senhor Javier Garcia? – os que ainda ali restavam, naquela pequena sala, saltaram dos sofás assim que o médico entrou ali. Não eram muitos tendo em conta que estavam pela alta hora da madrugada. O relógio pregado na parede marcavam as três horas da manhã e apenas restava Lorena, Francisco e Isabel. 

- somos nós…tem noticias do meu pai? – Lorena tomou a voz do comando. Sendo a filha mais nova de Javi era a que conseguia controlar as emoções num momento aflitivo daqueles. Francisco decidira acompanhar a sua mãe e Isabel, nem com insistência dos seus tios, arredou pé dali.

- Tenho sim…vamo-nos sentar? Diria que poderíamos ir até ao meu gabinete mas esta sala como está designada apenas para vocês, penso que estamos bem…

- claro! Ficaremos por aqui. – Os quatro sentaram-se nos sofás disponíveis e o médico tinha nas suas mãos alguns papeis. Qual seria a utilidade deles?

- Eu sou o Doutor Diego e estou responsável pelo Senhor Javier…desde já pretendo-vos descansar que ele encontra-se fora de perigo, conseguimos estabiliza-lo mas, no entanto, necessitamos de recorrer à cateterização para desobstruir algumas veias que encontravam-se inoperáveis… - uma lufada de ar fresco parecia ter entrado ali de um jeito abrupto mas aliviador. Um peso estranho saiu de cima deles e conseguiram, após algumas horas, respirar normalmente. 

- Dios mio, que alivio! Mas como ele está agora?

- Está bem…um pouco cansado o que é normal mas estamos muito confiantes pela recuperação dele e por estar a corresponder favoravelmente ao tratamento.

- podemos vê-lo? – Isabel decidira intervir. Saber que o seu avô estava, finalmente, livre de qualquer perigo tinha sido a maior lotaria que recebera mas precisava de o ver, falar com ele, tocar-lhe…

- Neste momento não mas amanhã, assim que for transferido para a enfermaria, poderão visita-lo. Ficará na unidade de cuidados intermédios apenas para vigilância. Por isso que também quero falar convosco… necessito que um de vocês assine o termo de responsabilidade para darmos inicio à transferência para a ala de medicina. Trata-se de questões burocráticas e que no entanto temos de cumprir.

- claro! Eu assino…- Lorena apressou-se a assinar aqueles papeis e, quanto isso, Isabel descontraiu-se desde que ali chegara. Deixou que o seu corpo tombasse no sofá e fechou os olhos…e agradeceu por nada de grave ter acontecido à pessoa que mais amava na sua vida. Durante aqueles momentos tenebrosos percebeu, como antes nunca o tinha feito, que não se sentia preparada para o perder e que talvez nunca o sentisse. 

Depois do hospital rumou, juntamente com a sua tia e o seu primo, até à quinta. Apesar de não viver ali não tinha meios nem queria largar a sua família…mais que tudo precisava de os ter por perto. Sentia que era uma forma de ter o seu coração aconchegado. As horas restantes, pouco dormiu e já eram sete horas da manhã quando levantou-se da cama, rumando até ao hospital. A casa estava despojada num silêncio calmo, dirigindo-se até à cozinha decidiu que um café forte seria o suficiente para se aguentar, pelo menos durante umas horas. Inevitavelmente, recordou-se do seu avô e, se ele ali estivesse, estaria a repreende-la por optar, como pequeno-almoço, um café. Dizia ele, muitas vezes, que aquele vício de descartar a refeição mais importante do dia, tinha herdado da sua avó e achava incrível como elas eram mais parecidas do que parecesse. Isabel sorriu perante estes pensamentos…Queria tanto tê-lo de volta que não se importava que o seu avô a chateasse por isso. E, com estes pensamentos, saiu de casa até ao hospital. Não eram horas de visitas, nem algo parecido mas o seu estatuto de aluna de enfermagem, permitiu que entrasse no hospital e se dirigisse até à enfermaria. Sabia que o seu avô já tinha chegado e, por isso, encaminhou-se até ao quarto. A porta estava entreaberta e conseguiu, ainda antes de entrar, distinguir a voz dele. Sorriu. Era tão bom ouvir o seu avô que aquele momento deixou-a com vontade de chorar. Acabou por abri-la, e apressou-se a vê-lo deitado na cama. Aquela imagem deixava-a um pouco estonteante mas pouco se importou, Javi estava bem e isso chegava. 

- Hola… - Assim que falou, Javi deu de caras com a sua neta. Mantinha uma aparência débil, o rosto pálido e com imensos fios estavam à sua volta. Mas, ao deparar-se com ela, um sorriso iluminou o seu rosto delineado pela avançada idade. Sem conseguir aguardar mais, Isabel chegou-se perto dele, abraçando-o. Sentir aquele calor confortante, o cheiro tão característico do seu avô, fê-la desfazer-se em lágrimas.

- hei…então enana? É esta a receção que tenho direito? – mesmo doente, Javi mantinha o seu sentido de humor. Sabia que precisava de o manter para confortar o coração inquietante da sua neta. 

- você pregou-nos um susto de morte, sabe? – Isabel apressou-se a limpar as lagrimas e encarou-o – nunca mais nos faça isto, está a ouvir?

- hum…é um aviso?

- é uma ordem! – ripostou mostrando um pouco a sua autoridade. 

- eu estou bem…e de viva saúde. – Isabel abanou a cabeça – acho até que tu estás com pior aspeto que eu!

- não brinque… sussurrou – pensei mesmo o pior!

- está tudo bem minha enana… - Javi tomou a mão de Isabel – foi apenas um susto que já passou.

- espero bem que sim! Tem de me prometer que terá o dobro do cuidado com a sua saúde! – Javi não conseguiu evitar e soltou um pequeno sorriso.

- sim, senhora Enfermeira! Eu prometo…mas tens de me prometer uma coisa também.

- o quê?

- que voltas para a nossa casa…é lá o teu lugar. Junto de nós. Junto de mim…além do mais, chega destes desentendimentos sem sentido Isabel. – ela olhou-o atentamente e respirou fundo.

- eu volto…não se preocupe!

- voltas mesmo?

- sim, volto! Por si e pela avó eu regresso à quinta.

- oh minha enana, é tão bom ter-te de volta! – Isabel sorriu e pareceu ver que aos poucos o rosto pálido do seu avô voltava a ficar rosado. Pegando na mão dele, beijou-a delicadamente.

- te quiero mucho abuelo…- sussurrou – não importa que não sejamos do mesmo sangue e que não tenha os mesmos traços que vocês…o amor que sinto por si e pela avó é tão grande que isso são apenas pormenores. Pensar que o poderia perder fez-me questionar sobre várias coisas e só tinha medo de não lhe puder dizer isso e que lamento por tudo. Por vos ter desiludido em algum momento…

- tu nunca nos desiludistes Isabel, nunca. E fico muito feliz por me dizeres isso…porque o sentimento é reciproco desde o momento que te vi naquele hospital…. E sabia que seria para sempre! – Isabel soltou uma tímida gargalhada e, encostando-se sobre o peito dele, deixou-se saborear por aquele terno momento. Um curto tempo de silêncio gerou-se, até que Javi o interrompe.

- Como está a tua avó?

- Depois de saber que você estava estável sossegou um pouco…mas estava visivelmente abalada. – os olhos de Javi carregavam preocupação. 

- vale…acho que preciso, mais que tudo, de sossegar-lhe aquele coração.

- você precisa é de descansar! A avó fica bem, não se preocupe! – Javi parecia ignorar o aviso da sua neta.

- faz-me um favor…dentro dessa gaveta tem umas folhas brancas e uma caneta e preciso que me as dês.

- para quê? – perguntou enquanto pegava nas folhas na caneta.

- Ainda és nova para entender estas coisas mas quando encontrares o amor da tua vida e passares longos anos junto dela, entenderás que terás de colocar o bem dela acima do teu. E este é o caso…tenho de sossegar a tua avó mesmo que eu esteja melhor!

- e o que pretende fazer?

- escrever-lhe uma carta. 

- uma carta? Você nem está em condições de falar quanto mais escrever…

- pois, eu sei. Por isso é que serás tu a escrevê-la. – Isabel estava surpreendida. 

- Eu…? – Javi acenou firmemente a cabeça.

- começa por escrever: minha querida Maria… - Isabel gargalhou e aos poucos o seu coração foi sossegando, sabendo que tudo iria acabar bem.


~

Os dias foram passando e entre aulas e idas ao hospital, Isabel nem dera pelo tempo passar. O seu avô estava a recuperar favoravelmente e já previam a sua alta para breve. Entretanto, aproveitou para fazer as malas e regressar à quinta, tendo sido para sua surpresa, recebida com imenso entusiasmo, excepto aos olhos de Marisol que mostrara o seu desagrado por a ter ali. Isabel não se importava com isso, tinha percebido que não poderia ficar ressentida pela inveja da sua prima, era algo que teria de se acomodar. Lembrara-se das palavras utilizadas por ela e no fundo, por mais que repudiasse ter de concordar com a sua prima, tinha de lhe dar alguma razão pois em breve já não estaria em Múrcia. Só tinha de esperar mais três meses e rumava de volta a Lisboa, deixando todos aquelas lembranças e momentos passados em Múrcia, para trás…Mas, enquanto não chegava o momento de deixar aquela cidade, eram muitos os pensamentos que assombravam a mente de Isabel, nomeadamente a festa no bairro de Marco. O céu estava límpido - o que mostrava a raridade do tempo inconstante do Inverno rigoroso – quando o seu telemóvel tocou. Era ele.

Guapa, aguardo-te no portão.
Beijo


Isabel delineou um sorriso no seu rosto, pegou na mala e despedindo-se dos seus tios e da sua avó que permaneciam na sala, rumou até ao portão onde encontrou Marco dentro do carro. Mesmo estando escuro, era notório a forma como o olhar dele percorria cada centímetro das curvas perfeitas de Isabel. 

- estás…deslumbrante! – rejubilou assim que ela entrara no carro. Chegou-se perto dela beijando-a calorosamente.

- hum…obrigada – respondeu timidamente, mostrando as suas faces ruborizadas – também estás bem apresentado! – gracejou tentando afastar aquele inesperado rubor. Marco gargalhou enquanto ligava o carro.

- apenas para ti Isabel – rumaram dali até ao bairro da alegria, como era tão bem conhecido. Ficava a dois quarteirões dali e pelo caminho foram conversando sobre diversos assuntos e Isabel não deixou de reparar que Marco encontrava-se mais alegre e as gargalhadas eram constantes. Presumiu que um pouquinho de álcool floreava-lhe no sangue mas pouco se importou, achou mesmo que talvez precisasse de algumas bebidas para aproveitar a noite e sentir-se solta, descomprimir de todos os problemas que a têm assombrado. Queria levar daquela cidade boas recordações, motivos que, olhando para trás, a fizessem orgulhar do tempo que aqui passou.

- chegamos… - Marco estacionou o carro numa garagem que ficava ao pé de uns prédios. Era dali que provinha a musica. Alguns jovens caminhavam alegremente pela calçada e assim que viram Marco, saudaram-no. 

- Vocês conhecem-se todos? 

- alguns…por exemplo, aqueles que acabei de cumprimentar cresceram comigo neste bairro. Outros vais conhecendo com o passar dos anos. Não é um bairro muito grande, aqui as pessoas conhecem-se!

- Isso é bom!

- Sim – algo no seu tom de voz parecia contraria-lo. Um desconforto que Isabel achou estar a imaginar na sua mente – vais gostar disto! 

- Assim espero… 

~

A festa estava ao rubro, a casa cheia e não havia modos de as pessoas pararem de chegar. A musica alta, os gritos de cada um juntando com as goladas de uma boa cerveja fresca que, apesar de ainda se sentir o frio invernoso, sabia bem. Enquanto isso, Marco mantinha-se com Isabel no quarto enquanto a beijava. O que ao inicio parecia ser algo calmo e inocente foi-se tornando mais ofegante e necessitante por parte de Marco. Aumentavam as caricias, os beijos e a vontade dele querer mais ao passo que Isabel o deteve.

- o que foi?

- é melhor não avançarmos mais… - Isabel pressentiu o que ele queria – não precisamos de avançar demais!

- oh anda lá… - ele voltou a beijar-lhe o pescoço ao passo que tentava tirar-lhe a camisola.

- já disse que não! – o seu tom de voz aumentou tentando esconder o nervosismo que começava a apoderar-se de si.

- vais me dizer que não queres?

- não! Eu não quero.

- porquê? – Marco parecia incrédulo.

- já te disse, estamos a ir depressa demais e eu não quero! – ele olhou-a atentamente

- só me falta dizeres que não queres que te leve para a cama porque és virgem! – atirou enquanto se ria mostrando o ridículo daquela negação por parte de Isabel.

- e se for? – ripostou agressivamente.

- E se for? – ele repetiu – e se for? – Marco aproximou-se dela de um jeito intimidador – tu és virgem?

- tens algum problema se o for?

- Joder Isabel não venhas bancar a santinha para cima de mim! – ele parecia um quanto nervoso – agora vens para cima de mim dizer que és virgem e não queres fazer sexo comigo? – Ela sentia-se chocada por aquela posição agressiva de Marco.

- Então só andavas comigo por causa disso? Tudo se tratava de sexo? – Marco agarra-lhe violentamente o braço.

- ouve lá… - o seu olhar era demoníaco – eu até acho graça às virgens…mas não te preocupes que trato de ti rapidamente! – naquele instante ela sentiu um nojo dele que a repudiava inegavelmente. Como poderia Marco ser tão bipolar? Tão nojento, manipulador? Isabel tentou soltar-se mas sem efeito. 

- larga-me! – gritou

- isso, grita! Grita para ver se aquela cambada de inúteis te ouvem! Podes gritar o quanto tu quiseres que ninguém te vai ouvir! – Notava-se que o álcool começava a surtir efeito em Marco e isso carregava todas as suas atitudes e com isso o medo aumentava em Isabel. Só queria sair dali, só desejava correr e nunca mais pôr os pés naquele sitio e nem tão pouco chegar perto dele.

- és um nojento! – ela continuava a gritar – larga-me!! – Marco ao sentir resistência por parte de Isabel, amarrou-a nos dois braços atirando-a para cima da cama. Sem gastar mais tempo, debruça-se sobre ela enquanto a tentava dominar perante todas as tentativas de espingardear-se.

- quieta, ouviste? 

- larga-me! – os gritos de Isabel tornavam-se cada vez mais aflitivos e angustiantes. O que iria ele lhe fazer? O medo apavorava-a e a sensação de terror era cada vez mais. Marco tentou abrir-lhe o fecho das calças mas, aproveitando uma pequena distracção, Isabel dá-lhe um murro nas pernas fazendo-o soltar um grito de dor. Depressa conseguiu-se soltar dos braços dele e, ao chegar junto da porta, sentiu-o novamente a agarra-la.

- onde pensas que vais, ah? Não me escapas! 

- vai para o inferno, cabrão!! – Marco ria-se descontroladamente 

- isso, chama-me nomes que eu gosto! Queres ver o inferno, é? Então tu vais ver! – abrindo a porta, ainda que fosse a muito custo perante todas as tentativas de Isabel lhe bater e tentar soltar-se dele, leva-a para fora do quarto, desceram as escadas e Marco parou quando se encontravam na sala. Todos os que ali estavam mantinham-se ocupados, ora a beber, conversar, fumar, dançar…ninguém ali os observava, ninguém percebia a sua cara de suplica. Ali, ninguém parecia querer saber deles ou mesma dela. 

- oh pessoal! – a voz de Marco estava rouca e ninguém o ouvia. Alguns ainda olhavam mas depressa se centravam em outras coisas. Foi então que, ainda com Isabel presa nas suas mãos, deslocou-se até à aparelhagem e desligou-a. Depressa todos os olhares dali se centraram neles e uma ovação se gerou. – Hei, ouçam-me por favor! – um nítido silêncio se fez notar e Isabel sentiu-se completamente humilhada ao ver cada olhar preso em si – Chegou o momento de fazermos… - Marco não estava no perfeito juízo e isso notava-se não só pelos seus olhos desfocados como também pelo efeito que o álcool já fazia em si – ora bem… - ele pigarreou – fazermos um leilão! – Isabel tentava a todo o custo fugir dele mas a força que exercia no seu braço era aniquilante – E vamos começar por esta bela rapariga… - ele olha-a – A Isabel! – Ela olhava naquela multidão. Será que ninguém notava que ela não estava bem? Ninguém era capaz de entender o nojo que o Marco era e o quanto estava a magoa-la? Usa-la? 

- E posso vos garantir que esta bela rapariga, ainda por estrear, dará um bom momento de conversas e bem…quem sabe mais não é… - Marco não falara mais até porque o embate violento sobre a sua cara fê-lo tombar para trás. Ainda estava a tentar recuperar daquele inesperado embate quando já estava a ser abalroado contra a mesa. Todas as atenções se centraram naquele meio e a tensão era bastante elevada. Assim que Marco conseguiu recuperar, deparou-se com Javi bem na sua frente. Apressou-se a limpar o sangue que escorria do seu nariz e não coibiu de lançar um olhar bem carregado. 

- Isto tudo para dizeres que a querias? – a ironia estava bem assente na voz de Marco mas, o que mais impressionava era toda a ira que o assolava e que Javi a conhecia tão bem. 

- Isto tudo para te avisar que se lhe voltas a tocar rebento-te essa cara! – atirou sem demoras e com toda a frontalidade.



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Preview do proximo capitulo:


"- E vou deixar as coisas assim?! ele tentou…ter relações comigo à força! Sinto ódio dele, vontade de o esganar, de o fazer sentir aquilo que sinto neste momento! E se ele vier atrás de mim? Achas que deixarei impune o que aconteceu?

- tu não vais fazer nada porque ele não vai se aproximar de ti – Javi adoptara uma postura defensiva – isso eu garanto-te!

- como podes ter tantas certezas disso?

- dou-te a minha palavra – garantiu com uma certeza que deixou Isabel arrepiada.

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- Ouve, Isabel… - Javi tinha entrado no instante em que Isabel retirava a t-shirt ficando apenas com a lingerie vestida. De um jeito estonteante ele mirava-a perdendo o raciocínio do que iria falar. Nem por um minuto ela se acanhou, continuando a vestir-se."

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1 comentário:

  1. Tinha imensas saudades de ouvir esta música! E ainda mais de ler um capítulo desta história! Adorei e mal posso esperar pela continuação do capítulo. Adoro o Javi!!
    Beijinhos

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