quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Capitulo 8

Os gritos de Lara eram bem evidentes. Isabel estava presa no armazém. Isso era sem duvida algo terrivel. Sem demorar muito mais, Javi desaparece dali começando a correr para dentro do edifício. As pessoas chamavam por ele, outros tentavam impedi-lo de entrar. A adrenalina corroía pelas veias de Javi deixando-o completamente inerte ao que o rodeava. Sem saber como e o porquê disso, ele corria para salvar Isabel. A rapariga mais detestável, irritante e mandona que alguma vez conhecera. Eles odiavam.se mas mesmo assim, ele corria para a salvar. Mesmo sem saber o motivo de tal coisa, Javi fazia isso.
Ele sabia que a arrecadação ficava do outro lado do edifício, saiu pela porta enorme que dava acesso ao corredor e começou a sentir o calor daquelas chamas. Um enorme clarão fazia-se sentir, o barulho das labaredas eram exurcedoras e o medo instalava-se nele. Começou a correr até chegar à porta que dava acesso à arrecadação. Assim que a abriu sentiu-se a ferver, estava um calor insuportável sem falar no fumo que o deixava cego e com uma enorme vontade de tossir. Pouco conseguia ver na sua frente a não ser a enorme nuvem de fumo que pairava ali. Estava tudo destruído, as coisas caiam sem piedade e Javi tentava-se desviar dos objectos que iam caindo de todos os lados. Por onde ele iria? Pouco via e agora sentia-se perdido, não sabendo para que lado ficava a arrecadação.

- Isabel!!!! – ele gritava tentando obter uma resposta, nem que fosse um grito dela. Nada. Não se ouvia nada. Foi então que reconheceu um dos corredores e tentou ir por ali. Mas ao virar a esquina, uma placa do tecto desaba acertando em cheio nas costas de Javi. Soltou um gemido. A tabua fervia e sentia o seu ombro dorido. Precisou de se amparar um pouco na parede. naquele lugar tudo ardia parecendo um verdadeiro inferno.

- Isabel!!! – ele gritava cada vez mais mas sem resposta. Parecia que ele era o único a estar ali. Será? Será que Javi vinha ao engano e afinal Isabel não estava ali? Ao longe Javi viu a porta da arrecadação. Estava fechada. Gritou novamente pelo nome dela.

- Isabel!!! – ele correu para junto da porta.

- Javi!! – ela estava ali. Isabel estava mesmo presa naquela sala e ouvir a voz de Javi despertou em si uma total esperança quando já se sentia perdida, esquecida e sem convicção que alguém a fosse encontrar. Ela batia fortemente na porta de ferro quase como se tivesse medo que ele não a tivesse ouvido – Javi, por favor tira-me daqui!!! – ela gritava por ele. Mesmo sendo uma situação de desespero, aquela era a primeira vez que Isabel ousara tocar no nome dele. Chamava-o com suplica. Javi tentou abrir a porta mas estava fechada.

- Isabel abre a porta!

- não consigo! A porta trancou-se! Eu não consigo abri-la!!! – respondeu completamente dominada pelo desespero.

- sai daí, desvia-te para tentar abri-la! 

- tira-me daqui!!

- então sai da beira da porta! – gritou-lhe. Javi olhava em seu redor em jeitos de tentar descobrir uma maneira de tentar arrombar a porta e encontrou um extintor que estava preso na parede e arrancou-o – afasta-te! – Javi dera lanço para de seguida mandar com força o extintor contra a fechadura da porta. Nada. Continuava intacta. Tentou mais vezes mas nada fazia com que aquela fechadura ficasse arrombada. Era uma porta de ferro e dificilmente conseguiria ter força para a arrombar. 

- por favor Javi abre-me a porta!! – os gritos de Isabel eram de suplica e Javi já não sabia o que mais fazer para a tirar dali. Pensou em voltar para trás e chamar alguém mas provavelmente seria tarde demais. Ele não podia deixa-la sozinha. 

- eu não estou a conseguir abri-la!

- não digas isso por favor! – ela começa a bater na porta totalmente aflita – tenta Javi! Não me deixes aqui!! – ele começou a olhar em seu redor e não havia meio de arranjar algo para a tirar dali. Só ao olhar para cima é que viu uma pequena janela de vidro. Era alta mas provavelmente ela conseguiria escapar dali. Mandou o extintor para cima dos cacifos, subiu para cima deles e, com ele, parte o vidro. Isabel grita perante o susto. Javi acaba por partir o vidro todo. 

- anda! – ele colocou metade do seu corpo do outro lado – sobe para aquele armário e segura na minha mão!

- joder! Como é que eu vou sair por ai?!

- é o único jeito Isabel!! Ou sobes ou então acabamos mesmo por ficar aqui os dois!! – ela respira fundo e sem pensar mais, sobe para cima do armário. Javi que já estendia a sua mão, sentiu a dela a prender-se à sua. Fez força tentando-a puxar para cima. Javi estava prestes a escorregar mas assim que ela se consegue apoiar sobre o parapeito daquela janela, num movimento rápido, ele puxa-a totalmente para fora dali. As chamas já estavam perto dali e dava para sentir o calor abrasador. Javi salta para o chão.

- eu não consigo saltar! Isto é alto!

- faz o que te vou mandar! Vou estender os meus braços e tu deixas-te cair. Eu seguro-te! – Isabel mostrou a insegurança que sentia. Tinha medo de saltar. De falhar e cair no chão. De não ser capaz – confia em mim, eu não te deixo cair! – sem saber como, Isabel foi capaz de confiar nas palavras dele. Não sabia se era da calma com que Javi falava ou o que era ao certo mas…confiava nele. Naquele instante Isabel depositava toda a sua vida em Javi. 

- vale… - ele estendera as mãos e Isabel impulsionou o seu corpo para a frente. Foi uma questão de segundos até sentir as mãos de Javi a puxar as suas pernas, acabando por cair no colo dele. Agora estava segura. Parecia que metade daquele pesadelo tinha acabado. Finalmente saíra daquele lugar maldito. 

- vamos! – olharam em redor e perceberam que as chamas já estavam ali a consumir uma parte do corredor. Não tinham muito mais tempo e só havia uma saída. Não sabiam para onde iria dar mas correram dali para fora. Só conseguiram parar quando viram ao longe uma porta de vidro. Assim que a abriram e sentiram o ar fresco nem queriam acreditar. Isabel tinha finalmente conseguido sair daquele pesadelo e Javi tinha conseguido tira-la de lá. Pararam quando chegaram ao jardim e sentaram-se num banco. Isabel tinha a sua respiração completamente descontrolada e já não sabia se havia de sorrir ou de chorar. Ficou a olhar para aquele cenário que podia apelidar de guerra, olhou para si e reparou que estava viva e isso tinha sido um achado. Ainda não estava em si perante os últimos minutos. Achava que tinha saído de um filme de terror ou de um pesadelo que não parecia ter fim. Sentia-se impotente. Completamente…



***

- joder, Maria estás bem?! – assim que Maria e o seu avô chegaram a casa, depois de ele a ter buscado ao hospital, foram interceptados pela sua avó que estava preocupada. 

- sim avó, eu estou bem… - apesar de não ter sofrido qualquer ferimento, Isabel estava um pouco debilitada, as suas roupas estavam cheias de pó, amassadas e esfarrapadas. Doía-lhe a cabeça e ainda tinha um pouco de tosse perante o fumo que inalou.

- o que aconteceu? Nós tivemos um susto de morte quando nos disseram que parte do edifício tinha ardido!

- não sei…eu estava a arrumar na arrecadação quando se deu o incêndio. Foi tudo tão rápido que não sei o que aconteceu!

- Dios…é um achado estares aqui salva e sã! Mas…olha para ti! Tens a roupa toda suja e rasgada! 

- eu tive de sair por uma janela pequena, a porta de ferro tinha ficado trancada e não havia forma de conseguir sair de lá. Alias nem sei como saí por aquela janela minúscula.

- não sei como os bombeiros não tinham meios de te tirarem de lá! 

- não foi os bombeiros que me tiraram de lá…foi o Javi. Por isso é que tive de sair pela janela!

- o que interessa é que está tudo bem! – interceptou a sua tia que também estava preocupada por tudo o que tinha acontecido. 

- vocês não ligaram aos meus pais pois não?!

- claro que sim! São teus pais e merecem saber o que se passa contigo…mas não te preocupes, eu já liguei e garanti que estava tudo bem contigo – Isabel suspirou. Sentia-se demasiado cansada e com imensas dores de cabeça. Precisava de tomar um banho urgente, tirar aquela poeira e cheiro a queimado de si. Queria dormir. Precisava disso. Tinha toda a gente daquela casa de volta de si, com os olhos postos na sua figura maltratada. 

- eu…eu vou para o meu quarto. Preciso de dormir…

- vale…queres que a Paula leve alguma coisa para comeres?

- gracias abuela… - Isabel sorriu de forma a sossegar o coração completamente sobressaltado da sua avó – mas estou sem fome.

- precisas de comer alguma coisa, não podes ir para a cama de estômago vazio! 

- mas não tenho fome, não se preocupe que se precisar eu peço.

- pelo menos um chá de camomila para te acalmares um pouco…anda lá, ao menos toma isso.

- vale abuela, vale… - Isabel acabou por se despedir dos que ali estavam e subiu as escadas para o seu quarto. Assim que abriu a porta, foi directa para a casa de banho. Tirou lentamente as roupas e inevitavelmente vinha à memória o som, as imagens, tudo…as chamas que pareciam devorar tudo, os gritos de súplica para que Javi a tirasse dali…joder, Javi tinha-a salvado. Porquê ele? Porque tinha de ser justamente a pessoa que ela mais odiava? Ele era um presunçoso e tinha tirado da sua possível morte. Deveria estar-lhe eternamente grata? Deveria fazer um monumental para ele ou erguer uma estátua em sua memoria? Joder, nada fazia sentido. Nada mesmo…nem tão pouco ela ter-lhe suplicado para a ajudar e confiar nele. 



- aqui está… - A porta abriu-se e do outro lado surgiu a figura de Paula, a empregada. Vinha com um tabuleiro com o chá que a sua avó insistiu para tomar, juntamente com umas torradas. Isabel já estava de pijama vestido e sentada na cama.

- gracias Paula!

- ainda bem que nada de mal te aconteceu! Todos nós ficamos preocupados quando soubemos que aquilo estava a arder.

- eu sei…pelo menos tento imaginar a vossa preocupação. Agora estou bem…

- não valeu para o susto! Mas também… - ela mostrara um sorriso travesso – com o Javi a salvar-te era impossível algo de mal te acontecer!

- Paula, por favor…

- vale, eu não digo mais nada. Eu sei que não gostas dele, aliás isso já é assunto bem falado!

- o quê?! Como é que sabes disso?

- eu tenho o meu sobrinho que é da turma dele, o Diego…por acaso estive com ele e tinha comentado comigo que te conhecia porque tu e o Javi andavam sempre em picardias…até chegou a comentar comigo que nas aulas eles falavam de ti e acreditas que ele descaiu-se e disse-me que fizeram apostas de como o Javi conseguia dar-te a volta?! - Isabel olhou-a. Paula percebeu que tinha falado demais e calou-se de imediato. Paula era uma rapariga jovem, tinha vinte e quatro anos, era bastante faladeira, alegre, divertida mas sabia bem dar contra do seu trabalho. Tinha uma ligação de aproximação com Isabel mas naquele momento sentira que havia falado demais. 

- volta a repetir o que acabaste de dizer!

- ah…não foi nada. Eu não disse nada! – respondeu atrapalhada – e eu tenho de voltar ao trabalho, com licença…

- hei, hei não vais nada! – Isabel conseguiu segura-la – só preciso que me esclareças essa historia das apostas!

- ai eu não disse nada! Por favor, não me metas em confusões, eu falei de mais, foi o que foi!

- calma Paula! Eu não vou fazer nada…só quero que me contes o que sabes. 

- eles…olha eu só disse aquilo que o meu sobrinho estava a comentar com os amigos! Sabes como eles são, gostam sempre de acrescentar as coisas!

- sim…podes continuar…

- eu ouvi-os a falar que chegaram a pegar com o Javi sobre…pronto, sobre as vossas picardias e que tu eras uma rapariga difícil. E que tinham até incentivado o Javi a tentar dar-te a volta…acho que pelo que estavam a dizer queriam que ele te pegasse! Ai oh Isabel, eu não sei de mais nada! Eu juro! Ouvi isso porque estava na casa da minha irmã, o Diego estava lá com os amigos e eles falam sempre alto!!

- calma…eu não faço nada…podes ir. Fica descansada que eu não faço nada!

- tens a certeza? É que eu acho que eles não queriam que ficasses a saber…eu é que sou desbocada e acabo sempre por falar o que não devo!

- não te preocupes Paula…eu sei bem como eles são e das asneiras que acabam por falar.

- vale…eu vou voltar para o meu serviço mas se precisares de alguma coisa, é só chamares.

- fica descansada! - Paula acabou por sair do quarto e Isabel ficou a pensar no que acabara de saber. Ela não se enganava mesmo e naquele momento tinha ficado pensativa. Afinal eles faziam apostas sobre ela? Queriam que Javi lhe desse a volta? Ela acabou por sorrir…era bom saber disso até porque Isabel já sabia bem o que fazer.

- cabrón…me pagas cabrón.



***



Hoje era mais um dia de aulas. Estava um dia de sol contraditando com a chuva que se fazia sentir nos últimos dias. A escola aos poucos ia-se enchendo de alunos, ora atrasados para as aulas, ora a conversar animadamente com os seus amigos. Naquele dia, Juan levara Isabel às aulas. Contra vontade dos seus avós que queriam que ficasse mais um dia em casa a descansar, Isabel decidiu ir às aulas. Sentia-se bem e não queria perder muito das suas aulas. A partir do momento em que colocara os pés sobre a calçada sentia os olhares presos em si e as pessoas cochichavam entre si enquanto a olhavam. Provavelmente falariam sobre o incêndio. Mal Isabel imagina que ela era o assunto principal daquela faculdade. Toda a gente comentava sobre isso.

- Isabel!!! Isabel! – ela voltara-se para trás e encontrou Adriana a gritar por si. Ela apressou-se a correr para junto da amiga abraçando-a – como é que estás? Fiquei louca quando soube do incêndio!! Estás bem? Tens alguma ferida? Queimaste?! 

- Hei…calma! – Isabel percebeu o pânico da sua amiga e tentou acalma-la – eu estou bem Adriana. Não sofri queimaduras algumas, nem tive arranhões…só fui ao hospital porque como tinha inalado algum fumo estava com falta de ar. Não te preocupes, está tudo bem comigo!

- Mas que susto! Eu fiquei mesmo preocupada contigo – naquele momento caminhavam as duas para a sala de aula – e depois tentei ligar-te mas tinhas o telemóvel desligado. Quem me falou que já estavas bem foi o Eduardo…eu soube que foi o Javi que te tirou de lá.

- Sim, foi ele…mas agora já não há motivos para ficares preocupada. Já passou, felizmente! – Tinham chegado à sala de aula, acabaram por se sentar nos habituais lugares e abriram os livros visto que a professora tinha chegado. A conversa tinha mesmo ficado interrompida ao não fosse a aula ter começado. Ia ser uma manhã preenchida. E de facto foi. Estiveram até à hora de almoço dedicadas a uma aula importante e mal saíram da sala, foram embora. Só tinham aula da parte da manhã o que acabava por ser bom. Isabel acabou mesmo por almoçar no apartamento onde Adriana estava a morar, juntamente com os rapazes. Eles ainda estavam em aulas e aproveitaram para, alem de estudar, conversar e falar por internet com os amigos de Lisboa.

O céu começava a escurecer quando Isabel voltou à quinta. Tinha chegado ao mesmo tempo que os seus primos que também chegavam da escola. Acabaram por entrar, ela, Enrique e Francisco para dentro de casa, pousar os sacos e irem como o habitual, até à cozinha onde Pilar tinha o lanche deles pronto. Já era um grande costume naquela casa em que todos os dias, ao chegar a casa, Pilar preparava o lanche para eles. Mesmo quando crianças tinha esse habito e agora que eram crescidos, continuava na mesma a preparar com todo o carinho como se de crianças eles tratassem. Naquele momento a conversa reinava sobre o incêndio e as especulações que agora se centravam acerca disso.

- mas ainda não sabem as causas?

- hum…pelo que ouvia hoje, suspeitam de uma fuga de gás! – respondia Juan

- ainda bem que só causou estragos materiais…olha se alguém ficasse gravemente ferido? Joder, que tragédia!

- A Isabel teve muita sorte em sair ilesa…

- ai por favor, parem de falar nisso! – pedia – hoje não se falava em outra coisa nas aulas, nos corredores, no bar…já passou! Agora é esquecer isto – naquele instante Marisol tinha acabado de chegar das aulas. 

- buenas tardes! – ela acabou por se sentar no balcão, pegando então no seu lanche. 

- vieste mais tarde! – constatou Enrique – porque não vieste de boleia connosco?

- não deu…tive coisas para fazer e aliás o Javi deu-me boleia até casa! – Isabel olhou-a de soslaio. Havia ali qualquer coisa que lhe andava a escapar. O olhar presunçoso da sua prima, a questão em referir que tinha vindo com ele…isso tudo para quê? 

- ah tu vieste com ele! Vale…

- ele não te contou a forma espectacular como salvou a Isabel? – inquiriu Francisco – ele foi um máximo!

- obvio que não… -respondeu com desdém – porque haveria de falar sobre isso? 

- porque não se fala de outra coisa hoje! Toda a gente fala disso, toda a gente mesmo!

- mas vocês não têm mais nada para conversar? – desta vez foi Isabel que interrompeu aquela conversa. Ela já se sentia cansada de ouvir falar no incêndio.

- Bela…tu foste salva pelo Javi! aqui tudo se sabe, tudo se comenta! Todos dizem que ele teve uma grande coragem em tirar-te de lá, visto que essa foi a sua boa acçao desde há alguns anos para cá…

- joder, parem com isso! Estou farta que falem nisso e nele. Pode ser?

- não te preocupes… - Marisol tomava a palavra, olhando-a com presunção – isso cai no esquecimento rapidamente! Daqui a nada já ninguém se lembra que ele te salvou! – dito isto, Marisol levanta-se saindo da cozinha. Isabel olhava-a com todo o espanto. Ela fazia aquilo para a provocar? Porque raio ela era assim? 

- não ligues…pelo que sei ela tirou uma nota fraca num exame. Por isso é que está um bocado…azeda.

- alguém é capaz de me explicar porque é que ela defende tanto o Javi? juro que não percebo…

- eles foram namorados! Acabaram há três anos mas ela nunca chegou a superar muito bem… - Isabel olhava o seu primo com espanto. Acabou mesmo por gargalhar.

- realmente, eles merecem-se! Dois presunçosos, de facto isso não me espanta nada!! – Enrique gargalhou.

- eu acho que ela está com ciúmes teus.

- meus? Ciúmes? De quê?

- tu não estás bem a par da realidade pois não? 

- que realidade?

- Isabel…desde que chegaste que muita gente comenta os teus atritos com o Javi. quando disse que as pessoas aqui comentam, não estava a mentir. Podes até não acreditar…mas tenho colegas lá da escola que fazem apostas que vocês vão ser o casal sensação deste ano! – Isabel cuspiu todo o chá que tinha na sua boca. Ficou completamente absorta a olhar para o seu primo que parecia muito calmo. Estaria tudo louco? Casal sensação? Para Isabel, isso tudo era um atentado à sua sanidade. Jamais ela poderia gostar de alguém como Javi. As pessoas não sabiam de facto, o quanto ela o detestava. O quanto eles eram o oposto um do outro. Só porque eles andavam com aqueles atritos já achavam que era uma relação amor-odio? Para Isabel, pensar isso dava-lhe um certo asco. 

- vale…como a Marisol diz…o que vale é que não daqui a alguns dias, mas daqui a uns meses…já ninguém falará nisso! Até porque já não estarei por cá! – dito isto, levanta-se da cadeira saindo dali. Foi para o seu quarto e assim que lá chegou deitou-se na cama. Hoje sentia-se mais cansada que ontem…precisava de descansar. Mas antes de se render ao cansaço, ficou a pensar nas diversas coisas que matutavam na sua cabeça. Nada fazia o mínimo sentido. Nem tão pouco o que as pessoas falavam. Ficou a pensar que era a única pessoa que conseguia ver um Javi diferente. Porque só ela o via como uma pessoa má, conflituosa, um verdadeiro delinquente? Agora já era visto como o seu herói? Vale…ele salvou-lhe a vida. Isabel tinha essa consciência mas agora já tudo fazia sentido na sua cabeça. Ela sabia o porquê de ele ter feito isso e mais do que tal coisa, era ela saber que não se deixaria afectar, que a sua opinião dificilmente mudaria.



***

Mais um dia de aulas. Véspera de fim-de-semana. Todos ansiosos para voltarem às suas casas usufruindo de uns bons dois dias longe da escola. Parecia até que naquele dia os alunos daquela universidade andavam mais contentes. Já não era novidade nenhuma que era normal Isabel chegar tarde às aulas mas naquele dia ela tinha adormecido. Passara mal a noite e pouco tinha dormido. Sabia que estava mais do que meia hora atrasada para a primeira aula. Tinha deixado o carro no estacionamento e foi a correr para o bloco onde tinha aulas mas pelo caminho, algo interpelou pelo meio. Foi ao virar a esquina que acabou por se esbarrar em alguém que também vinha a correr. 

- perdón! Lo siento pero no he visto! – Isabel ergue o seu olhar confrontando com quem estava na sua frente. Só encarando é que reparou com quem tinha esbarrado. Ironia do destino? Talvez…depois do incêndio, era a primeira vez que Javi e Isabel se encontravam. Estranhamente, não sabiam o que dizer ou fazer. Ela preparava-se para virar costas quando a mão dele a agarrou firmemente.

- hei…onde pensas que vais?


6 comentários:

  1. AIIIII comecei a ler e não consegui mais parar... a história é viciante!!!! Preciso da continuação please...

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  2. Olá!
    O Javi fica tão fofo com o papel de de salvador do dia! :P
    É que o facto de ela ter confiado nele naquele momento foi simplesmente fantástico!
    Preciso do proximo!!
    Beijinhos
    Rita

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  3. Ahhhh no puedo! Como consegues? Adoro tanto isto!!!
    Continua!
    Beijinhos

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  4. Ai que eu agora não parava de ler...
    Quero mais ;)
    Bjs

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  5. sim! Onde é que ela pensa que vai? Porque é que vai fugir agora?! Tem de lhe dizer um obrigada, afinal salvou-lhe a vida. Mas acho que a história da aposta não vai acabar bem :(

    Quero mais...

    bjs

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